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Zezé Motta e Aruana Zamby discutem racismo e representatividade no Tiradentes em Cena
 
 

Na manhã deste domingo (06), aconteceu, no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves, em Tiradentes, a Roda de Conversa “A representação da mulher negra nas artes cênicas: diálogos e liberdade”. A mesa, que foi mediada por Carol Fescina, teve um debate intenso sobre o racismo estrutural no Brasil e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. O debate contou com a grande homenageada Zezé Motta – atriz e cantora brasileira, que é considerada uma das atrizes mais importantes da teledramaturgia brasileira, além da atriz mineira Aruana Zamby, do grupo O Negro Conta. Aruana tem 62 anos de idade e continua ativa e participante no cenário de teatro e da televisão nacional.

A discussão se iniciou com as atrizes apresentando suas histórias para o público, desde casos de infância, até momentos de dificuldades, que marcaram imensa e fortemente as trajetórias de Zezé e Aruana. Discorreram sobre os preconceitos e separações que sofreram quando crianças e adolescentes, relacionadas aos padrões de beleza e aos ataques marcantes das outras garotas da idade. A questão dos processos de embranquecimento também foi trazida à tona. Ao ser questionada sobre a importância do filme Xica da Silva (1976), tanto em sua carreira, quanto em questão de representatividade, Zezé afirma que a produção foi um divisor de águas, pela questão da representatividade: “Aumentou a minha responsabilidade: como atriz, como cidadã brasileira, como mulher e negra.”

 Narrativas compartilhadas emocionaram o público, que participou ativamente da conversa, retirando dúvidas e apresentando suas opiniões e relatos relacionados ao tema. Em determinado momento, o assassinato da militante dos direitos humanos Marielle Franco foi trazido para as discussões, fazendo com que as pessoas presentes levantassem o grito “Marielle presente”. Para Aruana, se a mulher negra tem o peso da cultura e do conhecimento, ela tem que ser forte para cavar os buracos em que tem que entrar, sendo Marielle um exemplo disso. “Ela foi a vereadora de maior votação e o que aconteceu? Barraram ela com tiros, que é a coisa mais séria que tem. Você pode me barrar, não me deixar entrar, mas calar a pessoa? Será que calou?”, complementou.

Chegando ao fim da roda de conversa, dois espetáculos. Arlete Nascimento – filha adotiva de Yves Alves e escritora do espetáculo O Batizado, que estreou sábado (05) – recitou um texto de autoria própria sobre luta e resistência e, em seguida, Zezé Motta cantou “Senhora Liberdade”, antes de se dirigir para a exposição em sua homenagem, montada no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves.

 
 
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06/05 - A representação da mulher negra nas artes cênicas: diálogos e liberdade.
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