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Bate-Papo com Glaucy Fragoso
 
 

Na segunda feira (07) a atriz Glaucy Fragoso estreou o espetáculo "Urbana", um solo de teatro físico com narração baseada em fatos reais. Após um ano de ensaio e um ano e meio de processo criativo, a atriz, diretora e escritora da montagem subiu aos palcos do Tiradentes em Cena. Após a apresentação Glaucy nos concedeu uma entrevista. Ainda emocionada, ela falou sobre a criação, finalização e interpretação da cena, confira:

 

P: No final, você agradeceu as pessoas que fizeram parte das suas histórias, vivas ou não. Como foi o processo de construir o enredo e entrar nesses personagens tão fortes?

 

“Foi eu que escrevi todas as histórias, elas são histórias reais, vividas por mim ou por algum amigo meu. A partir disso eu fui construindo essa dramaturgia, fazendo algum complemento para tornar mais teatral, com os detalhes de acordo com o lugar que eu queria chegar, que era o de humanizar esses marginais que eu trago para a cena. Quando eu comecei o processo a primeira coisa que eu fiz foi transcrever as histórias que eu tinha. Eram nove histórias de assalto, aos poucos elas foram caindo e foi ficando essas outras histórias que trazem um tom mais humano dessas pessoas. Então eram histórias que estavam na minha cabeça a muito tempo, parece que elas só estavam esperando para sair. Tem histórias dessas que aconteceram tem quase dez anos, como a da invasão do morro, mas ela tava viva porque essas pessoas eu nunca esqueci. Esse cara, esse traficante, o jeito que ele olhava eu nunca esqueci. A mulher amarrada aconteceu, eu estava em processo criativo, eu estava indo ensaiar e aconteceu tudo aquilo. Eu cheguei em sala de ensaio e a única coisa que eu podia fazer era aquela cena. Eu senti que o universo me deu as histórias. É como se tudo tivesse chegado para mim, eu recebi as histórias e elas me transformaram como ser humano. Eu decidi contar elas porque queria causar empatia.”

 

P: Você não contou as histórias de forma linear, você foi retalhando elas, por que essa escolha de cronologia?

 

“Eu quis retratar um pouco do que é essa cidade que é hiperestimulante. As coisas atravessam a gente sem que tenhamos escolha, as coisas acontecem, a pessoa apareceu na sua frente e é isso, os encontros são assim, são fugazes. A escolha de não contar as histórias de uma forma linear é porque eu acho que todas elas têm um ponto de sincronicidade, um lugar em que elas se parecem e se encontram de uma maneira muito do acaso. Mas é um acaso mesmo, pela ordem do acontecimento as coisas tinham simbologias muito parecidas, então eu queria que nesses lugares que as histórias se encontram criar um link entre elas, para que ficasse claro os símbolos que eu estou trazendo para ela: a cura e o lugar onde o marginal se humaniza. Se eu contasse cada uma do início ao fim, esses pontos que para mim são os mais importantes iam ficar diluídos, não ia ser tão forte. O grande insight que eu tive para escrever a dramaturgia dessa maneira foi quando encontrei a mulher amarrada, porque ela falava assim, tudo muito desconexo. As ideias eram soltas, sinapses que aconteciam na cabeça dela. Quando eu encontrei ela, eu já tava em processo há muito tempo, essa foi a última história que entrou. Eu já estava construindo uma narração não linear, mas quando encontrei ela eu tive certeza. É como se fosse essa mulher contando, uma pessoa que não tem estrutura psicológica suficiente, que está em desordem mental. É um jogo meu de trazer isso, essa desordem que acontece muito na cidade urbana devido a tantos estímulos. Eu fui colando uma coisa na outra.”

 

P: De forma bem íntima, com relação a estreia, como foi pra você?

 

“Eu fiquei muito nervosa, óbvio. Mas é porque eu fiquei um ano em sala de ensaio, sozinha. Meu supervisor ia de vez em quando, o Roberto Rodrigues, mas eu fiquei muito sozinha. Então nesse momento que eu saí da sala de ensaio que era de concreto e vim para um palco de madeira, apresentar para um grande público, que eu não conheço, eu não consegui estar no presente, eu estava o tempo inteiro pensando na próxima cena e isso foi muito ruim para mim. Isso nunca tinha me acontecido ainda e é muito claro que é por conta da estreia, por conta do desejo de aprovação que gera um medo de errar e fez com que eu ficasse o tempo inteiro lá na frente. Eu estava fazendo aqui pensando qual era a próxima cena que vinha e isso é uma tragédia para o ator, porque o pensamento fica muito dividido. Quando terminou eu pensei: poxa vida, eu ensaiei tanto. Eu queria tanto ter conseguido chegar em um estado de presença para estar ali contando 100%, mas não. Eu estava 85% e 15% estava na próxima cena. Foi literalmente uma estreia, com tudo que engloba isso, nervosismo e ansiedade que me tiraram o estado de presença e me atrapalharam de estar ali completamente. Agora, a situação de estrear aqui, eu nem acredito ainda que foi assim que aconteceu. Um ano e meio escrevendo, um ano de processo de sala de ensaio, muita dedicação. Meu objetivo com esse espetáculo é impregnar um pouco da energia da cura, então eu tenho um objetivo que é para além do teatro. Aí o Júlio Adrião, que fez a supervisão para mim se amarrou no espetáculo e produziu, então ele conseguiu colocar o espetáculo para estrear aqui. Depois da ralação que eu tive, que foi totalmente independente, não tinha dinheiro, eu estrear em um festival, fora do Rio, o festival de Tiradentes, que a cidade é charmosa o festival é charmoso e com um tema que se conecta tão fortemente com meu espetáculo. Foi mais uma sincronicidade, foi mais uma obra, bela obra, do acaso. Uma estreia de ouro, mais uma vez eu recebi do universo uma oportunidade. Para mim é isso, é perfeito, foi perfeito.”

 
 
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